O aniquilacionismo tem sido uma das heresias de maior destaque nos movimentos sectários. Esse nome vem do latim ‘nihil’, ‘nada’. Segundo essa teoria, o homem ímpio será finalmente reduzido a nada. Esse mesmo conceito é refletido em alguns contextos da filosofia oriental. Algumas religiões pagãs supõem que a alma humana é absorvida e, consequentemente, deixa de existir sua individualidade.
O estado dos mortos e o destino dos ímpios tem sido outro alvo de questionamentos. Alguns afirmam que os mortos estão inconscientes até o arrebatamento ou o juízo final. Somente após o juízo serão lançados no lago de fogo e enxofre e durarão nesse tormento o tempo equivalente aos seus pecados. Depois deixarão de existir, ou seja serão aniquilados.

Concordam os sectários com as implicações desses versículos? Ao considerarem suas únicas citações (3:19,20; 9:5,10), por que não usam o mesmo princípio de interpretação nos demais textos? Que interpretação temos dos demais versículos e como isso esclarece esses versículos aparentemente difíceis?
O mesmo sucede a todos (9:2). E como morre o sábio morre o tolo (3:16). Não vão todos para o mesmo lugar? (6:6). Se lermos esses versículos numa perspectiva eterna, percebemos um conflito com as demais Escrituras. Concordaria alguma seita que tais comparações foram feitas indicando que sucederá eternamente a mesma coisa a todos? Haveria alguma outra informação para esclarecer qual perspectiva tinha em mente?
Consideremos os versículos chaves que identificam a perspectiva de Salomão: 1:3,9,14; 2:11,17-20,22; 3:16, 4:1,3,7,15; 5:13,18; 6:1,12; 8;9,15,17; 9:3,6,9,11,13; 10:5. Em todos eles há a expressão ‘debaixo do sol ‘. e nos seguintes versículos aparecem a expressão ‘debaixo do céu’: 1:13; 2:3; 3:1. Salomão usa 27 vezes a expressão debaixo do sol e 3 vezes debaixo do céu. Teria Salomão citado repetidamente essas expressões sem nenhum propósito? Ou, enfatizando que sua perspectiva sob o céu ou sol seria uma perspectiva secularizada. Salomão estaria visando refletir conceitos céticos e conduzi-los a uma conclusão piedosa?
Sua pregação é feita sob uma perspectiva debaixo do sol ou debaixo do céu. O pregador demonstra que o dia a dia retrata uma condição miserável, na qual a humanidade se encontra, pois a injustiça parece predominar.
Salomão está relatando sua observação nas eventualidades sob o sol, excluindo, portanto, a realidade além do céu ou sol.
Quando um ateu ou cético, ao observar a violência e injustiça, verifica que pessoas justas podem ser injustiçadas e pessoas injustas prevalecem; passa, então, a criticar a existência de Deus e a veracidade de suas Leis e promessas. Contudo, Salomão chama atenção para a realidade além das aparências. O homem, apesar de ser uma criatura mortal – sob a perspectiva debaixo do sol ou debaixo do céu – deve atentar para o fim comum. Haverá restituição após a morte! Deus há de trazer a juízo toda a obra (12:13,14). Toda a Escritura é unânime quanto a isso. Lemos em hebreus 9:27: “e como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo”.
ALGUNS DETALHES DOS TEXTOS QUE MERECEM ATENÇÃO
Em Eclesiastes 3:21, Salomão pergunta se o fôlego do homem sobe ou desce. Mas ele mesmo responde no capítulo 12:7 – “E o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu”.
Tanto os Adventistas do Sétimo Dia quanto os Testemunhas de Jeová usam esses versículos (Ec. 9:5,10) para advogarem o sono da alma e aniquilação. Vamos ler na bíblia.
Em relação a quê os mortos não sabem coisa alguma? O versículo 6 responde: em coisa alguma do que se faz debaixo do sol. Salomão não está se referindo à condição pós túmulo. Ele está dizendo, por exemplo, que o ambicioso ou egoísta não terá ciência do destino e uso de seus bens após a morte. O que o homem sabe, administra e como administra está condicionado apenas à realidade humana. Contudo, receberá de Deus, após a morte, ou a vida eterna ou a morte eterna. (Romanos 2:5-10). Haverá concordemente, recompensa no por vir.
Vemos claramente no contexto do Livro de Eclesiastes a mesma doutrina que encontramos nas demais Escrituras:
1. Neste mundo o homem sofre adversidades. Isso inclui até mesmo o justo padecer e o ímpio florescer;
2. Haverá uma prestação de contas – após a morte (Ec. 12:7,13,14; Rm. 2:5-10)
3. A morte física entre homens e animais é semelhante, segundo uma observação natural. Mas a constituição do homem é diferente,pois tem espírito (Ec. 12:7) e responderá diante de Deus (Ec. 12:13,14).
Portanto, podemos afirmar que o livro de Eclesiastes é o relato sobre as reflexões de um grande sábio sobre os acontecimentos debaixo do sol ou debaixo do céu, e não contradiz a doutrina bíblica da vida após a morte, consciência da alma e de uma vida melhor.
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